segunda-feira, 22 de abril de 2013
2003-2013
Hoje a Nuta lembrou no Facebook que o disco American Life, da Madonna, fez 10 anos.
Em 2003, eu tinha 15 anos e sabia muito pouco de tudo, mesmo achando que sabia muito (por esse lado envelhecer é bom, queria saber as coisas que sei hoje naquela época, ia ser maravilhoso). Eu lembro que logo quando vi a capa de American Life eu fiquei intrigado pelo jeito que a Madonna era retratada ali, a música nem me importava muito. Foi nessa epoca que comecei a entender as personas que ela cria pra cada disco. Mas antes de entender isso, eu comprei disco. Afinal, eu era do tipo que ia na loja de CDs e abria os discos só pra ver os encartes. O de American Life me provocou tanto que depois dali é que tudo começou a se organizar na minha cabeça, junto com o meu gosto pelos recortes, com as revistas que eu comprava, com os meus cadernos de rabiscos, com os fanzines toscos que eu montava. E toda a parafernalha de papel que eu ia juntando no meu quarto. Acho que certas coisas a gente só entende depois de 10 anos mesmo, não tem jeito. Em novembro de 2004, eu comecei a U+MAG.
O encarte de American Life deve ter causado esse choque todo pelo fato de reunir muitas coisas que eu acredito e que eu tento mostrar nos meus trabalhos, tudo em um lugar só: ele não é perfeito, é meio tosco, mal acabado, cru. Mas por outro lado, é brilhantemente bem executado graficamente. A tipografia também é um caso a parte. Depois de um tempo, quando comecei a descobrir os nomes das pessoas que faziam as coisas que eu gostava, é que cai na real de quem eram os M/M que assinavam a arte do disco. Quando eu descobri a Bjork e o universo dela, eles estavam lá de novo. De todos os CDs que eu joguei fora e quebrei, o American Life foi o único que sobreviveu.
P.S: Eu adorava o selo Parental Advisory Explicit Content. Quase coloquei um assim na capa da edição de sexo da U+MAG, mas ainda bem que mudei de idéia a tempo.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
ROLETA RUSSA
Hoje dei de cara com essa imagem (da esquerda) no Tumblr, feita em 2003 pro convite do desfile Manifest Destiny, de Hussein Chalayan.
Fiquei pensando um pouco sobre as reações que as pessoas teriam caso esse convite tivesse sido feito por um estilista daqui. Não sei se alguma marca aqui no Brasil teria coragem pra tanto (Alexandre Herchcovitch já teve, mas usou outra situação), pra tanta provocação com uma imagem tão intrigante. Muito menos alguma revista, com seus anunciantes e etc. Ao mesmo tempo, fiquei pensando sobre a liberdade de criação de uma imagem provocante e sobre a pasteurização das imagens criadas por aqui (salvo algumas excessões, e também aquelas revistas que não circulam mensalmente). Não que essas coisas sejam feias, mas são criadas em série e, talvez por isso perdem a magia (talvez devido a prazos apertados, budgets curtos ou zero...), como se elas ja estivessem prontas a muito, muito tempo para serem publicadas, independente da época ou da estação. Só mudam apenas os modelos, as chamadas e as coleções. Me falaram que é normal essa pasteurização acontecer a cada 10 anos. E quem foge a regra, saí ganhando.
2003-2013.
Acho que o maior exemplo de liberdade criativa da última semana é o novo vídeo da Lanvin mostrando Alber Elbaz em uma conversa por Skype dirigindo e acompanhando a sessão de fotos da campanha de verão 2013 da marca. Em tempos de tragédia e aperto, acho que é melhor provocar usando humor, ironia e pretensão/despretensão. Fez sentido?
TAGS: 2003, ALBER ELBAZ, CAMPANHA, HERCHCOVITCH, HUSSEIN CHALAYAN, LANVIN, SKYPE
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
OLD HABITS DIE HARD

"I was like the character we used in the advertisements that we called dentist daughters. We imagine this cool girl, who was a bit French bourgeois, but at the same time she was a bit crazy. We kept that character for several campaigns."
"When we brought out the first campaign, people said, 'Are you Crazy? This is a dead person!' Then I had to explain that she wasnt dead. But at the same time, until that collection, Balenciaga as a house was not very alive. The idea was that she is opening her eyes and she will live again. The tempo of that image was very unexpected, but it reflected what we wanted to do at Balenciaga."
"We were having a conversation in reality and throught the work. We were exchanging influences; they took something from my work and I caught what they gave me and responded to it. It went back and forth. It was a human relationship that become an artistic dialogue. I think that is the best situation."
"I think continuity is very important, particularly in a world where everyone is expecting something new all the time."
TAGS: ALEXANDER WANG, BALENCIAGA, M/M PARIS















