19.2.15

sangue latino

Eu tenho um problema sério com horários de programas de TV e já falei disso aqui. Isso quer dizer que a primeira vez que assisti ao Sangue Latino, eu peguei apenas o final do programa (o que é muita coisa, já que cada episódio tem no máximo 25/30 minutos). As entrevistas são feitas por Eric Nepomuceno, embalado em uma fotografia p&b com detalhes em vermelho e trilha do maestro Jaques Morelenbaum. Através de perguntas existenciais, os entrevistados revelam seus pensamentos, dúvidas e medos. As minhas entrevistas favoritas? Eduardo Galeano, Hugo Carvana, Ferreira Gullar, Ronaldo Fraga, Ariano Suassuna, Ney Matogrosso, Ricardo Darín, João Ubaldo Ribeiro, Dira Paes... Não é um programa de entrevistas convencional, mas é na minha opinião, um biscoito fino da TV a cabo.







"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."

11.2.15

surrealismo brasileiro

Esse último final de semana foi digno de Férias Frustradas (1983) com_sem exageros_direito a aeroportos fechados, voos cancelados, ânimos exaltados, baldeação de passageiros, barracos, transfer em pau de arara, meteorological delays, neblina, chuva, turbulências aéreas e psicológicas, reviravoltas, ausência de aparelhos e cintos de segurança, reembolsos, no-show no hotel, festa do PT em BH... Mas teve final feliz: tudo isso foi compensado com o Inhotim com sol e praticamente vazio. 

Eu poderia escrever um texto gigante e contar a minha saga pelos aeroportos, rodoviárias e terminais de embarque em detalhes, mas deixo isso pro dia que eu transformar esse final de semana caótico em roteiro de cinema.  

 

 






4.2.15

sem título

Acho justo escrever esse post depois de perceber que esse blog ainda tem alguns acessos.

Meu último post foi ano passado. Será que eu estou inaugurando a categoria de blog com periodicidade anual? Espero que a resposta seja não. Mas a verdade é que eu não ando com muita vontade de escrever nesse blog, mesmo que ultimamente eu tenha aberto uns arquivos de blocos de notas pra registrar umas coisas, uns pensamentos. Nada que mereça ser publicado.

A melhor parte de manter esse blog no ar é que ele serve de arquivo, quase que uma viagem no tempo, já que eu criei ele em 2007. Meu conselho para essa geração que já nasce conectada: criem um espaço e juntem posts. Mas não use o Facebook pra isso, por que lá ninguém acha nada. Eu pelo menos não acho, ou na maioria das vezes, demoro pra achar. Nem usem o Instagram pra isso, por que o serviço de datas lá é terrivel (4 semanas atrás, 100 semanas atrás...).  Resumo: criem um blogspot (ou um Wordpress), alimente  esse espaço por anos a fio (sem pretensão de virar um blog famoso, relevante, it blog) e depois de um tempo, comece a reler tudo. É assustador, engraçado, e por que não, emocionante.

No fim das contas, sempre fico com vontade de atualizar umas coisas que eu falei em posts antigos, mas o passado não é editável, então prefiro deixar do jeito que está.


16.4.14

ABRIL, ABRIU

Comecei esse blog em Abril de 2007, meu último post foi em Abril de 2013 e hoje já estamos em Abril de 2014. Nesses 365 dias que fiquei longe daqui, muita coisa aconteceu, muita água passou por baixo dessa ponte, desse lugar empoeirado. Mas nem sei se devo escrever tudo aqui. Eu nunca fui de fazer disso um diário ou algo do tipo. Por onde eu começo? Graças ao Netflix comecei a acompanhar séries. Nunca tive muito saco pra baixar, nem pra acompanhar pela TV a cabo, mas agora já me sinto picado pelo mosquito do vírus dos seriados. Saudades do Walter White.

Nem preciso dizer que meu sumiço daqui foi por causa da U+MAG, né? Em Abril do ano passado, nós estávamos começando a pensar na edição UNEXPECTED e semana passada lançamos a edição NEW NOW, a nº 105.  E já estamos na próxima, mas isso não significa que nosso ritmo é industrial. Na verdade, a nossa meta é de 4 edições por ano. E esse ano é muito especial pra revista, já que ela completa 10 anos em Novembro. Mas como falei no editorial da edição 105, não vamos falar de passado, nem fazer uma edição nostálgica, vamos olhar para o futuro.



E a temporada de desfiles no Brasil? Tentei acompanhar de longe, mas rolou um desanimo tão grande, mas tão grande, que resolvi fazer outra coisa. Mas parece que os destaques foram basicamente os mesmos da temporada passada (e da outra também). Não sei se é impressão minha, mas há cada ano que passa, parece que ao invés de andarmos pra frente, damos dois passos pra trás.

Jonathas de Andrade
Arte brasileira. Esse programa novo do Alberto Renault é tipo um mousse de chocolate: delicioso. A minha vontade é de querer devorar todos os programas de uma vez, de uma tacada só (efeito Netflix). O último, que mostrou os trabalhos do Jonathas de Andrade, foi muito bom. Eu conhecia pouco do trabalho dele, foi uma surpresa. O do Luiz Zerbini também foi bom. Espero que ganhe uma segunda temporada, com outros artistas e com mais tempo de exibição.





22.4.13


2003-2013

Hoje a Nuta lembrou no Facebook que o disco American Life, da Madonna, fez 10 anos.  

Em 2003, eu tinha 15 anos e sabia muito pouco de tudo, mesmo achando que sabia muito (por esse lado envelhecer é bom, queria saber as coisas que sei hoje naquela época, ia ser maravilhoso). Eu lembro que logo quando vi a capa de American Life eu fiquei intrigado pelo jeito que a Madonna era retratada ali, a música nem me importava muito. Foi nessa epoca que comecei a entender as personas que ela cria pra cada disco. Mas antes de entender isso, eu comprei disco. Afinal, eu era do tipo que ia na loja de CDs e abria os discos só pra ver os encartes. O de American Life me provocou tanto que depois dali é que tudo começou a se organizar na minha cabeça, junto com o meu gosto pelos recortes, com as revistas que eu comprava, com os meus cadernos de rabiscos, com os fanzines toscos que eu montava. E toda a parafernalha de papel que eu ia juntando no meu quarto. Acho que certas coisas a gente só entende depois de 10 anos mesmo, não tem jeito. Em novembro de 2004, eu comecei a U+MAG.



O encarte de American Life deve ter causado esse choque todo pelo fato de reunir muitas coisas que eu acredito e que eu tento mostrar nos meus trabalhos, tudo em um lugar só: ele não é perfeito, é meio tosco, mal acabado, cru. Mas por outro lado, é brilhantemente bem executado graficamente. A tipografia também é um caso a parte. Depois de um tempo, quando comecei a descobrir os nomes das pessoas que faziam as coisas que eu gostava, é que cai na real de quem eram os M/M que assinavam a arte do disco. Quando eu descobri a Bjork e o universo dela, eles estavam lá de novo. De todos os CDs que eu joguei fora e quebrei, o American Life foi o único que sobreviveu.

P.S: Eu adorava o selo Parental Advisory Explicit Content. Quase coloquei um assim na capa da edição de sexo da U+MAG, mas ainda bem que mudei de idéia a tempo.

3.2.13




ROLETA RUSSA

Hoje dei de cara com essa imagem (da esquerda) no Tumblr, feita em 2003 pro convite do desfile Manifest Destiny, de Hussein Chalayan.

Fiquei pensando um pouco sobre as reações que as pessoas teriam caso esse convite tivesse sido feito por um estilista daqui. Não sei se alguma marca aqui no Brasil teria coragem pra tanto (Alexandre Herchcovitch já teve, mas usou outra situação), pra tanta provocação com uma imagem tão intrigante. Muito menos alguma revista, com seus anunciantes e etc. Ao mesmo tempo, fiquei pensando sobre a liberdade de criação de uma imagem provocante e sobre a pasteurização das imagens criadas por aqui (salvo algumas excessões, e também aquelas revistas que não circulam mensalmente). Não que essas coisas sejam feias, mas são criadas em série e, talvez por isso perdem a magia (talvez devido a prazos apertados, budgets curtos ou zero...), como se elas ja estivessem prontas a muito, muito tempo para serem publicadas, independente da época ou da estação. Só mudam apenas os modelos, as chamadas e as coleções. Me falaram que é normal essa pasteurização acontecer a cada 10 anos. E quem foge a regra, saí ganhando.

2003-2013.

Acho que o maior exemplo de liberdade criativa da última semana é o novo vídeo da Lanvin mostrando Alber Elbaz em uma conversa por Skype dirigindo e acompanhando a sessão de fotos da campanha de verão 2013 da marca. Em tempos de tragédia e aperto, acho que é melhor provocar  usando humor, ironia e pretensão/despretensão. Fez sentido?

30.1.13



"By placing yourself in a specific design niche, you decrease the number of competitors and give yourself a greater chance of being the go-to name for the service you provide.» «So by specializing, you increase the conversion rate when it comes to recommendations from your best salespeople – previous client."

David Airey via The Imagist