20.1.16

colagens e processos

Uma vez perguntaram sobre quais eram as minhas inspirações por trás das colagens que eu faço. A verdade é que na hora em que eu estou criando, eu não penso em nenhuma inspiração. Eu não penso em quase nada, não relaciono com nada. Mas situação muda quando eu desenvolvo alguma coisa sob encomenda, pra algum cliente. É sempre um processo recheado de emoção e reviravoltas, já que o vai e vem de versões é insano até chegar no resultado desejado. 

Damien Blottiere


Damien Blottiere










A coisa mais fascinante em fazer colagens é saber que elas podem se parecer, mas nunca vão ser iguais. É como se fossem impressões digitais de quem criou. Alguns anos atrás a Cavalera fez uma campanha, que eram umas colagens "inspiradas" no trabalho do Damien Blottiere. O trabalho dele é incrível, mas a tentativa da Cavalera em emular o trabalho dele, acabou tirando toda a vida da técnica dele. Acho que se o designer responsável pela campanha tivesse feito uma interpretação autoral, o resultado teria sido mais rico. A mão do Blottiere é a mão do Blottiere. Esse é um exemplo. Tem uma história de uma vez que fizeram umas colagens bem parecidas com as minhas em um editorial do FFW. No começo foi estranho, mas depois eu vi que por mais que parecesse minha, aquilo era de outra pessoa. Depois desse caso, (que naquela época causou uma mini confusão com direito a textão e hoje eu acho até engraçado) comecei a pensar em como seria incrível se eu montasse uma colagem e outras pessoas interferissem na imagem, reorganizando as peças e criando novas colagens com aquela base de imagens. Alguém já deve ter feito isso, mas acho que é válido. 

Lucas Simões

Sim, esse é um texto sobre colagens e sobre os processos de se fazer colagens. Teve uma época em que eu curtia demais o trabalho do Lucas Simões. Eu também sabia que eram zero as chances de eu fazer qualquer coisa parecida com as que ele fazia. Só admirava. Nesse meio tempo apareceu um trabalho, em que eu precisaria emular o trabalho dele. Foi uma das piores experiências, já que na época eu não fazia quase nada em handmade, meu foco até então era digital. Acho que a pessoa entendeu que não ia rolar e acabou evitando um desastre gráfico. 


Uma coisa que vem me fascinando, mas que eu fiz muito pouco até agora é usar como base as fotos que eu mesmo tiro. Eu até fiz uma colagem misturando umas texturas que eu fotografei, mas não tenho certeza se o caminho é aquele. As dores e as delícias de ser iniciar uma série nova. O barato em usar fotos dos outros, misturar com fotos escaneadas e mixar tudo isso com uma base feita a mão e digitalizada são as diferentes texturas de papel, as tonalidades, o digital e o impresso. Uma colagem com todos esses elementos presentes é muito mais rica. Uma colagem com apenas um desses elementos pode ser rica também, mas não me fascina tanto como antes.  Entre o tudo digital e o tudo handmade, acho que existe um meio termo a ser explorado. Coisa de libriano, por que no final das contas, vira tudo digital mesmo.

Em 2014, eu fiz um trabalho para a Nike durante a Copa e eu tive um briefing inesquecível: as colagens precisam ser visualmente interessantes. Hum. Meio óbvio? Talvez, mas fez todo o sentido escutar isso naquele momento. A idéia é sempre criar algo visualmente interessante, claro, mas isso nem sempre acontece. Não é um processo automático, muito menos industrial. É intuitivo e quase que sem controle. Depende das imagens principais, das imagens de base, e de outros fatores. E essas coisas não são controláveis. Eu já tentei planejar uma colagem e foi horrível. Depois que eu tive contato com esse briefing, eu comecei a ter um cuidado maior com as colagens que eu faço. Isso também deve explicar os quase seis meses que eu fiquei sem produzir nada, refletindo sobre o meu trabalho até então. Na verdade eu fiz uma reflexão sobre tudo e não apenas sobre as colagens, mas sobre as revistas e etc. Foi nessa época que eu me reencontrei com o handmade, que sempre esteve por perto, mas nunca esteve presente. Tipo um pai que registra um filho e só deposita a pensão alimentícia todo mês. Eu devo ter destruído umas cinco revistas que eu amava nesse processo, de tentar criar colagens visualmente interessantes. Mas que p*#@! é essa de ser visualmente interessante? É fácil. Nada mais do que criar ligações perigosas dentro da imagem, relações entre um ponto e outro, curvas que se encontram e passam por dentro do objeto principal, elementos que se conectam e criam significados. Um exemplo? O trabalho do Damien Blottiere. Tudo isso pode parecer meio óbvio, mas acho que vale a pena deixar registrado.

Esse é o post nº 666. 


19.1.16

Robert Rauschenberg

15.1.16

Chris Burden

Hora do merchan: pra quem não sabe, eu tenho um tumblr com todos os screen shots que faço dos filmes que assisto. É um costume antigo meu. Tem Incêndios (que eu indico muito!), Seven - Os Sete Pecados Capitais, A Grande Beleza, o maravilhoso Que Horas Ela Volta?, A Conversação, Fargo, Pulp Fiction, Memento, O Som Ao Redor, Drive, A Vida Dos Outros, 1984, Beleza Americana e outros. No momento, tá meio desatualizado, mas o arquivo já tá bem grande. A próxima leva vai vir com cenas de Ensina-me A Viver (que filme lindo, não consigo entender como demorei tanto pra assistir), Tatuagem, Birdman, Youth (que é do mesmo diretor de A Grande Beleza) e Home.



13.1.16

David Hockney

Esse blog ainda existe. Estou escrevendo esse post só pra agradecer as visitas daqueles que entram aqui através de buscas no Google. Eu já mudei de ideia sobre várias coisas que escrevi aqui (ainda bem, né?). Ano que vem esse espaço faz 10 anos. Já perceberam que sempre quando eu resolvo escrever aqui é pra falar sobre tempo? É melhor parar, não quero que esse post se torne melancólico ou coisa do tipo. Eu ilustro esse post com esse Marlon Brando careca, por que assiti pela segunda vez o Hearts of Darkness, que acompanha o processo de filmagem de Apocalypse Now. Ultimamente eu ando meio obcecado por documentários. Além desse, eu também assisti o José e Pilar, que acompanha os últimos anos de vida do José Saramago, com a participação mais do que especial da Pilar Del Rio, sua companheira de vida. Na verdade ela meio que rouba a cena no filme, de tão maravilhosa que ela é. Não, não estou dizendo que a presença do Saramago no filme é menor. Assistam e entenderão. Eu queria falar qualquer coisa sobre a morte do Bowie, mas seria pouco, então prefiro não falar nada. Já falaram tanto, em textos tão incríveis, que prefiro ficar quieto escutando o Blackstar. Mas é impressionante como as músicas do disco ganharam vida depois que a notícia da morte dele foi divulgada. No dia do lançamento, eu fui correndo pro Spotify atrás do disco completo para ouvir todas as canções, mas fiquei meio assustando com a estranheza, com a melancolia. Não conseguia digerir as canções, só conseguia ouvir Lazarus, Blackstar e Dollar Days. Na segunda-feira, assim que eu abri o Twitter e soube da notícia, fui correndo ouvir o disco. E parecia que era outro disco. Tudo fazia sentido. Eu não queria ter falado nada sobre a morte dele, mas acabei escrevendo até demais sobre o assunto.

19.2.15

Eu tenho um problema sério com horários de programas de TV e já falei disso aqui. Isso quer dizer que a primeira vez que assisti ao Sangue Latino, eu peguei apenas o final do programa (o que é muita coisa, já que cada episódio tem no máximo 25/30 minutos). As entrevistas são feitas por Eric Nepomuceno, embalado em uma fotografia p&b com detalhes em vermelho e trilha do maestro Jaques Morelenbaum. Através de perguntas existenciais, os entrevistados revelam seus pensamentos, dúvidas e medos. As minhas entrevistas favoritas? Eduardo Galeano, Hugo Carvana, Ferreira Gullar, Ronaldo Fraga, Ariano Suassuna, Ney Matogrosso, Ricardo Darín, João Ubaldo Ribeiro, Dira Paes... Não é um programa de entrevistas convencional, mas é na minha opinião, um biscoito fino da TV a cabo.






"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."

11.2.15

Esse último final de semana foi digno de Férias Frustradas (1983) com_sem exageros_direito a aeroportos fechados, voos cancelados, ânimos exaltados, baldeação de passageiros, barracos, transfer em pau de arara, meteorological delays, neblina, chuva, turbulências aéreas e psicológicas, reviravoltas, ausência de aparelhos e cintos de segurança, reembolsos, no-show no hotel, festa do PT em BH... Mas teve final feliz: tudo isso foi compensado com o Inhotim com sol e praticamente vazio. Eu poderia escrever um texto gigante e contar a minha saga pelos aeroportos, rodoviárias e terminais de embarque em detalhes, mas deixo isso pro dia que eu transformar esse final de semana caótico em roteiro de cinema.  








5.2.15

4.2.15

Acho justo escrever esse post depois de perceber que esse blog ainda tem alguns acessos. Meu último post foi ano passado. Será que eu estou inaugurando a categoria de blog com periodicidade anual? Espero que a resposta seja não. Mas a verdade é que eu não ando com muita vontade de escrever nesse blog, mesmo que ultimamente eu tenha aberto uns arquivos de blocos de notas pra registrar umas coisas, uns pensamentos. Nada que mereça ser publicado. A melhor parte de manter esse blog no ar é que ele serve de arquivo, quase que uma viagem no tempo, já que eu criei ele em 2007. Meu conselho para essa geração que já nasce conectada: criem um espaço e juntem posts. Mas não use o Facebook pra isso, por que lá ninguém acha nada. Eu pelo menos não acho, ou na maioria das vezes, demoro pra achar. Nem usem o Instagram pra isso, por que o serviço de datas lá é terrivel (4 semanas atrás, 100 semanas atrás...).  Resumo: criem um blogspot (ou um Wordpress), alimente  esse espaço por anos a fio (sem pretensão de virar um blog famoso, relevante, it blog) e depois de um tempo, comece a reler tudo. É assustador, engraçado, e por que não, emocionante. No final das contas, sempre fico com vontade de atualizar umas coisas que eu falei em posts antigos, mas o passado não é editável, então prefiro deixar do jeito que está.